segunda-feira, 3 de abril de 2017

PORTUGAL E A EUROPA

A Comunidade Económica Europeia, precursora da União Europeia, foi fundada há 60 anos. França, Itália, Alemanha Ocidental, Bélgica, Holanda e Luxemburgo criaram com o tratado de Roma um mercado único europeu. Este espaço foi-se alargando e em 1986 Portugal tornou-se o 11º membro. Em boa hora Portugal aderiu. Éramos um país rural e de emigrantes, e com o auxílio dos fundos comunitários de mais de cem mil milhões de euros tivemos a oportunidade de modernizar o país, alavancar milhares de projetos empresariais, formar milhões de trabalhadores, modernizar e contruir infraestruturas rodoviárias, escolas, universidades, hospitais, aeroportos, etc.
Pese toda esta ajuda europeia, que corresponde a dez mil euros por português, os nossos governantes não souberam direcionar a maior fatia desses biliões na criação de riqueza, apostando no investimento reprodutivo e de bens transacionáveis. O setor secundário não mereceu a devida atenção dos governantes, tendo estes acenado com a mirifica vantagem da via da terciarização, como se fosse sustentável um país com a dimensão de Portugal viver dos serviços. Agora ouvimos falar recorrentemente da necessidade da reindustrialização, sendo que há umas décadas era uma ideia ostracizada, quando a razão do tempo era gastar biliões em investimentos de fachada.
A UE não tem culpa que os governantes portugueses não tenham aplicado em maior escala os fundos europeus em investimento reprodutivo. A intenção da UE foi de ajudar Portugal, para que hoje estivéssemos em condições de competir na esfera global, não pela mão-de-obra barata mas sim pela incorporação competitiva de tecnologia e ciência dos nossos bens transacionáveis.
Os postulados dos arautos da desgraça dizem que os nossos problemas se resolveriam com a saída da UE e do euro, com a criação de moeda própria, são simplistas e precipitados. É uma opinião que não partilho, porque já vivemos fora da UE e com moeda própria e nem por isso eramos um país sem dificuldades, bem pelo contrário. É uma proposta de retrocesso e isolacionista que nos ficará muito cara. O custo de vida disparará, o preço dos bens essenciais subirão inevitavelmente, assim como as prestações dos créditos à habitação e a prestação de outros bens. Tudo o que importamos, irá ficar mais caro. A vantagem que antevejo seria a possibilidade da desvalorização da moeda própria e assim podermos ser mais competitivos nas exportações e os emigrantes ganhariam, pois os seus depósitos valeriam mais na conversão para uma moeda fraca.
Nem tudo corre bem na EU, bem pelo contrário. Foi criada para pacificar uma região secularmente fonte de conflitos - o que foi conseguido - e também para dar força económica e política aos estados europeus, que sós não teriam relevo internacional perante as potências político-económicas existentes e as que entretanto emergiram no cenário mundial.
A UE deve transformar-se no sentido de uma europa dos cidadãos. Os europeus devem senti-la, não como uma organização de funcionários bem pagos, mas como uma organização democrática, onde as suas instituições tenham a legitimidade proveniente do voto dos seus cidadãos nos vários patamares de decisão, em eleições, e em que os seus atos sejam constantemente escrutinados, derrubando barreiras com uma cultura de responsabilidade e solidariedade entre todos.
Penso que a solução para a crise portuguesa e da UE se resolve com mais integração e com a implementação de uma solução federal. Haveria orçamentos nacionais como agora, mas a UE deveria ter um orçamento federal, não de 1% do PIB como até agora, mas um orçamento federal que permitisse realizar uma política de unidade e de solidariedade com responsabilidade entre as nações, que poderia andar nos 15% do PIB como acontece nos Estados Unidos da América.
Portugal deverá dar o seu contributo com o seu exemplo e estar do lado da solução a nível nacional e europeu. Continuar como estamos, com a navegação à vista, sem uma estratégia nacional de médio e longo prazo, não é sustentável. Sem reformas estruturais Portugal não tem futuro para as atuais gerações que sobrevivem com dificuldades e muito menos para as vindouras. Os portugueses estão anestesiados, com falta de vontade e coragem política reformadora, vivendo resignados na vã esperança sebastianista de que alguém fará o que nos compete fazer.

terça-feira, 28 de junho de 2016

União Desportiva e Cultural de Argivai

ASSEMBLEIA GERAL
CONVOCATÓRIA
Nos termos estatutários e regulamentares, convocam-se todos os(as) Senhores(as) Associados(as) e Simpatizantes desta coletividade a participar na Assembleia Geral Ordinária a realizar no dia 24 de Julho (domingo), pelas 10 horas, na Sede da U D C de Argivai, sita na Rua de São Pedro, para apreciar e deliberar sobre o Relatório e Contas de 2014 e 2015, discutir outros assuntos de interesse para a coletividade e eleição dos órgãos sociais para o biénio 2016/2018.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

COMEMORAÇÃO DO 25 DE ABRIL

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A democracia é um dado adquirido, mas, por culpa própria, não temos sabido exercê-la corretamente no nosso dia a dia, devido à falta de intervenção esclarecida nas questões que afetam a vida dos cidadãos. Somos tentados a criticar o que está errado no nosso país, desde a corrupção, à situação económica, ao sistema de saúde, passando pelo sistema judicial e pela educação, etc., etc., mas nada fizemos ou fazemos para mudar o atual estado das coisas. E podemos fazer, se exercermos a cidadania no escrutinuo quotidiano da atividade política. A nossa passividade tem levado a que o poder político conluiado nas corporações de interesses tenham delapidado o país, quando devíamos ter penalizado exemplarmente com o nosso voto os maus servidores da pátria. Estes vão-se governando, delapidando as estruturas económica e social do nosso país com prejuizo na vida de milhões de portugueses, muitos dos quais, por não terem no seu país condições mínimas de vida com dignidade, foram obrigados a emigrar.

sábado, 23 de abril de 2016

BARRAGENS CANCELADAS E SUSPENSAS

A construção das barragens do Alvito, na Beira Baixa, da EDP, e Girabolhos, no Mondego, da Endesa foram canceladas. Foi também decidido pelo governo suspender por três anos a construção da barragem do Fridão, no Tâmega, da EDP, porque o dinheiro, na ação eleitoralista dos governantes, tem certamente outras prioridades.
Num país onde o investimento reprodutivo é essencial para o arranque e dinamização da economia e quando a construção de barragens são fundamentais para a diminuição da nossa crónica dependência energética, não se compreende esta atitude de lesa pátria.
Vive-se um momento em que o que interessa é aplicar o dinheiro em despesa que dê votos e as barragens não dão os ditos. As obras estratégicas que dão emprego, dão retorno financeiro e reduzem o nosso crónico défice da balança comercial, que esperem por melhores dias. Enfim, assim não iremos certamente a bom porto!

domingo, 3 de abril de 2016

ORÇAMENTO DO ESTADO DE 2016


O défice orçamental de Portugal em 2016 será superior aos 2,2% previsto pelo Governo e o crescimento económico será inferior aos 1,8% do PIB, o que, inevitavelmente, irá dificultar bastante a vida dos portugueses, sobretudo dos mais carenciados.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

ESPAÇO LUSÓFONO

Sou um defensor acérrimo da Lusofonia e estou convicto que a maioria dos portugueses também. Refiro-me à lusofonia, no sentido da globalização e da interdisciplinaridade, onde se deseja criar um espaço comunitário que vá para além do conceito linguístico, sendo a língua, obviamente, o cimento que nos une, “a minha pátria é a língua portuguesa”, como disse o poeta dos heterónomos Fernando Pessoa.
O espaço Lusófono deve estar concertado em todos os domínios, com...o por exemplo, na cooperação político-diplomática, na educação, na saúde, e, fundamentalmente, nas relações económico-financeiras. Ou seja, deve-se entender o conceito de Lusofonia no seu sentido mais lato, ultrapassando o estrito conceito linguístico.
No mundo atual, em profunda crise, o conceito lato de espaço Lusófono ganha uma importância fundamental para a nossa sobrevivência e afirmação identitária num mundo cada vez mais globalizado. Faz parte da nossa genética, está no nosso ADN e é o resultado de um legado que nos orgulha enquanto povo baluarte da Civilização Ocidental no período das Descobertas, onde soubemos espalhar a nossa língua e estabelecer relações económicas e diplomáticas pelo mundo fora. Neste sentido lato do conceito da Lusofonia, defendo, o modelo estratégico de um pé na Europa e outro na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Porém, no plano económico, e não só, há muito terreno para palmilhar na CPLP.
O colossal mercado brasileiro não tem sido convenientemente aproveitado para que se concretize este desiderato, aliás, a plataforma logística comercial brasileira na Europa está, curiosamente, sediada em Espanha, pese embora o facto de o Brasil estar focado nas relações com o mercado Americano e com o Mercosul.
As exportações portuguesas para o Brasil não chegam a 2% da totalidade das nossas exportações. Um valor irrisório, relativamente ao gigantíssimo mercado brasileiro. Para Angola exportamos um pouco acima dos 6%. As exportações para a restante Comunidade de Países de Língua Portuguesa não chegam a 2%.
As nossas exportações para Espanha correspondem a cerca de 25% do total, a França e a Alemanha juntas compram-nos aproximadamente outro tanto, sendo que o espaço europeu representa cerca de 75% das nossas exportações.
Seria de todo conveniente aumentarmos a influência da CPLP como parceiro económico, para não estarmos dependentes dos ciclos económicos da Europa.
Temos que exportar mais para reduzir, ou melhor, anular, o nosso crónico défice estrutural da balança comercial, e a CPLP pode ter um papel importante, porque de outra forma não temos futuro como Nação, nem merecemos o sangue derramado pelos nossos egrégios avós.

Artigo publicado no "Correio da Maia" de 1 de Junho de 2015

sábado, 23 de maio de 2015

MUDAR DE RUMO

Os governos das últimas décadas, quais amigos da onça, destruíram paulatinamente a produção nacional. Pagou-se com dinheiro dos contribuintes para não se produzir, com o argumento de que o desenvolvimento do nosso país passava pelos serviços, agora, que temos mais de 86% da estrutura económica no sector terciário, vêm dizer-nos o contrário, que afinal temos que reindustrializar.
A nossa atual oferta de bens e serviços transacionáveis não nos garante uma trajetória de convergência com a União Europeia, assim, é imperiosos aumentar a produção de bens e serviços para reduzirmos a necessidade de financiamento externo. As políticas públicas devem incentivar de forma estruturada a indústria transformadora de bens transacionáveis, para que ela cresça e se torne competitiva no exterior.
Se não houver coragem para criar um ecossistema favorável à competitividade empresarial e à criação de emprego, a vida social agravar-se-á drasticamente, com o drama do desemprego, cuja taxa real ultrapassa os 20% da população ativa. É uma ignomínia nacional. A probabilidade de cada um de nós termos um familiar desempregado, ou emigrado por falta de emprego no nosso país, é elevada. O desemprego é um problema dramático, que leva à perda da dignidade humana, que só se resolve com políticas de relançamento económico.
A administração pública e a política estão subordinadas aos interesses económico-financeiros. Transformam este país num dos mais corruptos da Europa Ocidental, onde todos nós estamos a pagar com muito sofrimento, os desvarios da partidocracia corrupta e incompetente. Vejam-se os casos de corrupção na Expo-98, no Euro-2004, nos submarinos, na empresa Portucale, nos bancos BPN, BPP e BES, no Face Oculta, as PPP, as SCUTs, os SWAPs e muitos mais.
Os partidos do arco da governação não são autorreformáveis e estão ultrapassados.
O Partido Democrático Republicano tem propostas concretas para a mudança do sistema político. A democracia representativa pura, do atual sistema, não serve os interesses dos portugueses, pois foi este sistema que provocou esta inércia cívica, que nos levou ao descalabro. Precisamos de um partido que endosse no povo a participação e a construção do seu futuro, para que tenhamos uma combinação equilibrada entre a democracia representativa e a democracia participativa, e onde os eleitos sejam escrutinados pelos eleitores.
Os partidos do arco da governação estão ultrapassados, a mudança passa por um novo partido político, e esperamos que esse novo partido político seja o Partido Democrático Republicano.
A divulgação da mensagem do PDR é fundamental para que os portugueses vejam que este projeto político alternativo é válido e importante para mudar o rumo de Portugal. Devemos ter a ambição de acolher a preferência da grande massa do eleitorado descontente, que pretende um país melhor em prol de todos.
Devemos estar na primeira linha dos combates políticos que se avizinham. Devemos ajudar a resgatar Portugal da degenerescência política e da corrupção que destruíram o nosso país nas últimas décadas. A política não pode ser vista como uma profissão, como repetidamente o Dr. Marinho Pinto tem afirmado. Precisamos de gente séria na política que queira servir Portugal.
 
Artigo publicado no "Correio da Maia" de 30 de Abril

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

31 de janeiro de 1891

Estamos na antevéspera da comemoração de mais um aniversário de um grande acontecimento histórico que ocorreu na cidade do Porto, precursor dos ideais Republicanos, demonstrativo do carácter heroico e de coragem deste povo, que foi a revolta de 31 de janeiro de 1891. O povo estava descontente com a caótica situação política e, somando a esse descontentamento, revoltou-se contra as cedências humilhantes do Governo português face às exigências ultrajantes da nossa “aliada” Inglaterra, com o Ultimatum de 1890, por causa do mapa cor-de-rosa, impondo a retirada das forças militares portuguesas, chefiadas por Serpa Pinto, do território português compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola. João Chagas definiu o levantamento revolucionário de 31 de Janeiro, no Porto, como "O mais luminoso e viril movimento de emancipação", sendo a primeira grande tentativa republicana de mudança de regime, que se viria a concretizar em 1910.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Orçamento de estado para 2015

Alguém de boa-fé acredita que este orçamento de estado vai ser cumprido? Penso que ninguém! Sem produção de riqueza não é possível termos um orçamento de estado digno de um país da Europa.
Da leitura do orçamento de estado verifica-se que as prestações sociais são muito superiores às contribuições sociais, um problema que os políticos fingem que não existe. Temos uma economia anémica, que não cria postos de trabalho suficientes para contribuir para as contribuições sociais e assim fazer face às despesas sociais.
Como também é insuportável que precisemos de 10% do orçamento de estado para pagar os juros da dívida pública. É urgente repensar a monstruosa dívida pública, que todos os anos é maior.
Em conjunto as prestações sociais e as despesas com pessoal representam 64% da despesa do estado. Uma percentagem de despesa muito elevada que asfixia a alavancagem económica do país.
Apesar de todos os sacrifícios, vamos continuar a pedir dinheiro emprestado, pois prevê-se um défice de 4.800 milhões de euros.
A consolidação orçamental é dúbia, porque é feita essencialmente através de um aumento da receita, em cerca de 2,9%, que por sua vez ainda tem de compensar um aumento da despesa de 1,0%.


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Marcelo no Clube de Pensadores

 
Na sequência das minhas lucubrações sobre a interpretação subjetiva e política que o Tribunal Constitucional faz da constitucionalidade de algumas Leis, ouvi ontem da boca de Marcelo Rebelo de Sousa, num debate que assisti, organizado pelo Clube dos Pensadores, em Gaia, o seguinte: “A apreciação de preceitos constitucionais como o princípio da igualdade é sempre um juízo político e complexo. Nos Estados Unidos, esse preceito não impediu que, durante anos, os não brancos ou as mulheres não tivessem acesso a todos os direitos".
No entanto, é bom recordar que essa interpretação iníqua da Constituição Americana acabou em 1965, há 49 anos atrás, obviamente com uma forte intervenção cívica de parte da sociedade americana. E por cá, o que se passa? Cada um a olhar para o seu próprio umbigo e a interpretar estas questões de acordo com as suas próprias conveniências. É assim, e assim continuará, até um dia!
Segue-se a reportagem do Expresso: "Rui Rio é, segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o melhor candidato presidencial da área social democrata. "Eu próprio já lhe disse isso. Ele terá de optar entre ser candidato presidencial ou reservar- se para primeiro-ministro", disse Marcelo ao Expresso, depois de ter sido o protagonista da 82ª sessão do Clube dos Pensadores, em Gaia.
Marcelo considera que Rui Rio está em melhor posição para vencer as presidenciais do que Durão Barroso ou Santana Lopes. Já na área socialista, aponta Guterres como o melhor candidato e não tem dúvidas que ele "quer e avançará".
E sobre uma sua candidatura a Belém? Durante o debate, Marcelo foi várias vezes confrontado com essa hipótese e adotou sempre uma posição prudente. "Não me movo por cargos, mas por causas. Em cada momento da vida devo estar no sítio em que melhor posso fazer render os meus talentos e ocupar os cargos que favoreçam as causas que defendo", reagiu Marcelo. Mas, avisou, que "não me voltam a apanhar  a dizer que nunca ocuparei este ou aquele cargo nem que Cristo desça à terra". Para Marcelo, uma candidatura a Belém "não é uma questão de apetite, nem de amor próprio ou ambição pessoal". Em resumo, "neste momento, é um questão que não povoa a minha mente".
Marcelo considera "sensato e muito inteligente" que o governo tenha sugerido a Cavaco Silva a fiscalização preventiva junto do Tribunal Constitucional (TC) do novo pacote de medidas sacrificando a função pública. O governo " tem de saber as linhas com que se cose". E só depois de saber a posição do TC pode decidir se haverá ou não aumento de impostos.
A presença de Marcelo conduziu a uma enchente (150 pessoas) no fecho deste ciclo do Clube dos Pensadores, apesar da concorrência do Brasil-México. Marcelo ficaria desolado pela intransigência do moderador e promotor da sessão, Joaquim Jorge, em não permitir que o debate se arrastasse durante mais uma ou duas horas, para escoar as perguntas que ficaram por fazer.
Com a sua inesgotável energia, Marcelo replicou na sala de hotel o estilo "das aulas semanais na TVI para um milhão de pessoas" e aceitou vestir vários fatos ao longo da noite.
Marcelo, analista político: "António Costa tem a seu favor uma aura de messianismo que uma boa parte do eleitorado lhe reconhece. Eu acho que essa imagem de Messias é exagerada, mas ele beneficia da carga de simpatia como presidente da Câmara de Lisboa, da assídua presença como comentador televisivo e não se ter desgastado como líder da oposição".
Marcelo, comentador de futebol:" A seleção alemã tem como coluna vertebral a equipa do Bayern que fez uma grande época. Portugal é um somatório de jogadores que, por várias razões, não estão na sua melhor forma. Depois, Portugal sofreu um conjunto de azares e infelizes desencontros que lhe retiraram capacidade competitiva. A nossa equipa é melhor do que o que mostrou e vai ganhar os dois próximos jogos".
Marcelo, constitucionalista:" O governo fez mal em dramatizar a crise, depois foi mais sensato e recuou no confronto com o TC. Esta decisão do TC é mais infeliz do que a anterior e gera um grau elevado de imprevisibilidade nos pressupostos orçamentais do governo. Acabar com o TC e entregar as suas funções ao Supremo Tribunal de Justiça  não é líquido que resolvesse o problema. A apreciação de preceitos constitucionais como o princípio da igualdade é sempre um juízo político e complexo. Nos Estados Unidos, esse preceito não impediu que, durante anos, os não brancos ou as mulheres não tivessem acesso a todos os direitos". 
Marcelo, conselheiro de Estado: "O Presidente da República tem uma visão contida dos seus poderes, tal como sucedera, com exceções pontuais, com Jorge Sampaio e Mário Soares, no primeiro mandato. A leitura que faz é que o governo responde perante o Parlamento e que não tem razões para intervir se esse relacionamento estiver bem resolvido".
 Marcelo anti-regionalista: "O mapa que o governo de Guterres negociou com o PCP era uma confusão, com debates sobre as capitais. Teria efeitos atómicos no país. Fui contra aquela regionalização. Aos 17 anos escrevi um artigo, seduzido pelo caso francês, a defender a regionalização e quando estive no governo andei a fazer campanha pelo país promover o Livro Branco, que propunha as regiões-plano".
Marcelo considera que António José Seguro cometeu um erro fatal ao rejeitar o ano passado  "o presente" de Cavaco Silva de antecipar eleições em troca de um entendimento com os partidos da maioria. E lançou um apelo para que em 2015 os partidos do "arco europeu" possam estabelecer um "consenso mínimo" em torno de pontos essenciais, como o respeito pelo tratado orçamental. O país "não pode correr o risco" de ter um governo que comprometa a estabilidade financeira e perturbe o acesso aos mercados. "Um segundo resgate seria dramático, nem dá para imaginar", acentuou Marcelo. O orçamento para 2016 é o primeiro dos últimos anos com margem criativa nacional e sem os constrangimentos atuais. Por isso, vê vantagens na antecipação para antes do verão das eleições legislativas, separando-as das presidenciais. Mas, tal antecipação só é possível "se a atual maioria estiver de acordo".
Na fase mais intimista da sessão, o professor Marcelo confessou-se "um privilegiado" e enfatizou o papel dos agentes educativos na construção da personalidade. No seu tempo de adolescente ("nunca fui jovem, aos 17 anos já era adulto") a família, escola, igreja e os amigos eram, por esta ordem, os agentes que contavam. A "mudança radical" traduz-se "na quebra dos laços familiares" e na nova hierarquia de valores e protagonistas: internet, televisão, escola e família."


sexta-feira, 23 de maio de 2014

União Desportiva e Cultural de Argivai

ASSEMBLEIA GERAL
CONVOCATÓRIA
Nos termos estatutários e regulamentares, convocam-se todos os(as) Senhores(as) Associados(as) e Simpatizantes desta coletividade a participar na Assembleia Geral Ordinária a realizar no dia 1 de Junho (domingo), pelas 10 horas, na Sede da U D C de Argivai, sita na Rua de São Pedro, para apreciar e deliberar sobre o Plano de Atividades e o Orçamento para o ano de 2014 e discutir outros assuntos de interesse para a União Desportiva e Cultural de Argivai.

O queixume e o negrume das nossas elites

Excelente texto de Maria João Avilez, que caracteriza na perfeição queirosiana a atualidade, infelizmente intemporal, das nossas putativas elites.
"As nossas elites preferem disfarçar, fazer de conta, não destoar. Contemporizar. Queixar-se. Nunca ir contra a corrente nem comprometer-se. Nem Portugal nem os portugueses lhes devem nada.
Cruzámo-nos no Saldanha, já não nos víamos há muito, partimos logo para dois dedos de conversa.
Em má hora, pensei eu passados dez minutos mas depois lembrei-me que com as elites portuguesa não há boas horas. São normalmente todas más (as exceções são tão poucas que não vale a pena a menção politicamente correta de o recordar).
Há 400 anos, aí por mil seiscentos e tal, o meu interlocutor ter-me-ia muito provavelmente saudado num efusivo castelhano, com a invejável segurança de estar a fazer bem. E, nos idos das invasões francesas, talvez me tivesse convidado para cear na sua bela casa, frente ao rio, na companhia de alguma alta patente militar gaulesa sentada à sua mesa, enquanto o povo dava e levava pancada. Se inventei estes dois exemplos foi porque expressam bem um desconforto que é antigo: as nossas elites preferem disfarçar, fazer de conta, não destoar. Contemporizar. Queixar-se. Nunca ir contra a corrente e raramente comprometer-se. Nem Portugal nem os portugueses lhes devem nada, numa palavra. Um mistério.
Eu sei que ando particularmente belicosa mas não é fácil digerir que a elite do país simplesmente não está disponível para o servir. Um abaixo-assinado quando muito, e mesmo assim de “largo espetro”. Um discreto assentimento, um discretíssimo comprometimento. Nestes últimos três anos, talvez nem isso. Sim, pagaram a crise do seu bolso, mas onde se esperaria brio houve apenas ressentimento e nenhum empenho. Dá que pensar.
Naquele dia no Saldanha, tropecei de novo no mistério: a propósito da partida da troika agendada para dias depois daquele meu casual encontro e a propósito de um almoço que o meu competente e qualificado interlocutor teria momentos depois com uma gente ligada ao empresariado católico, ocorreu-me uma pequena revisão da matéria. E perguntei-lhe de chofre: “E vocês que fizeram nestes anos difíceis? Não se chegaram à frente no vosso apoio público às medidas governamentais difíceis para o país, pois não?”.
A resposta chegou a ser rudimentar: “Não, de facto não”. E, após uma pausa, logo aterrou aquela reticência tão minha conhecida: “Sabe… não era fácil, teria até sido difícil esse apoio”. E foi tudo. Porquê? Ignoro: o meu companheiro da praça do Saldanha não se aventurou em argumentos e julgamentos. Era “difícil”. Calculo.
A verdade é que desde 2011 me entretenho a olhar para a elite e para aquele quadrado de vida em que ela se move. E a maioria move-se bem ou muito bem, uma coisa não tem a ver com a outra, é de comprometimento que falo. Do comprometimento que não houve. Em vez dele, queixume e negrume. Sem sombra de remorso face a um país em guerra e à consequente mudança radical das circunstâncias. Quanto mais benesses tinham e mais altas pensões auferiam, mais queixas com os cortes sofridos. Quanto mais o tom geral dos media era de escárnio e mal dizer, menos se deu pelas elites. Quanto mais o ar do tempo era de contestação, mais se ouvia o seu silêncio. Tão audível quanto notório era o recuo do cenário de guerra.
Sim, não se duvida – eu não duvido – que se esfalfaram por produzir, vender, empregar, exportar. Tudo isso. Mas o resto… caramba. Neste deserto, ocorre-me a voz solitária de Fernando Ulrich – dizendo verdades logo depois enviesadamente extrapoladas –, alguns artigos de Vítor Bento, algumas tomadas de posição de Ferraz da Costa. Um ou outro – raro – empresário, um ou outro grande reformado dedicado a revigorar a polis, em assembleias municipais ou em assembleias partidárias.
Contam-se pelos dedos. Haverá outros, como é óbvio, e em diversos setores – não quero ser injusta –, mas não chegou, nem contou, nem marcou. E também haverá aqueles que se ficaram pelo satisfeito telefonema privado ao primeiro-ministro com sugestões e recomendações, coisa esta também muito portuguesa: a discrição de um sussurrado telefonema a permitir a ilusão de um apoio logo camuflado no dia seguinte, numa qualquer televisão ou microfone de rádio.
É a vida – como diria o agora menos desaparecido engenheiro –, mas é feia. Como esses patéticos – se me deram melhor adjetivo, eu troco – Silvas Penedas deste mundo, e não haverá mais verosímil símbolo da demissão de que falo: sempre com prontas mas nunca concretizadas “alternativas” às medidas que a nossa miserável realidade impunha, sempre em bicos de pés no coro vigente para não desafinar da música dos dias. Em resumo: sempre do contra porque sempre a favor de paralisantes interesses instalados, interesses (supostamente) poderosos porque justamente o país é fraco de boa gente no seu topo.
Decisores, pensionistas de luxo, reformados ilustres, protagonistas mediáticos à espera de melhores dias, foi um ver se te avias no desfiar das contas do nosso rosário. Não tercendo armas por nada e confundindo quase tudo, confundindo a pátria e a conquista da sua credibilidade com caprichos privados do Governo.
Exagero? Não, de todo. E se é óbvio que Ulrich ou Bento ou Ferraz da Costa não estiveram totalmente sozinhos nem foram os únicos, o que parece é que mês após mês, ano após ano, Portugal não interpelou por ai além estes senhores de que vos falo. Que se retém de vigoroso? De que intervenção ou gesto se recordam hoje?
Pelo contrário: o país reparou que o balbuciante caminho andado não foi andado com o seu exemplo. Temo aliás que também venha a reparar nos próximos episódios quando, por exemplo, essas mesmas elites nos vierem dizer que “sempre estiveram com os sacrifícios pedidos ao povo português”; quando as virmos rejubilar com eventuais bons resultados das políticas que incessantemente condenaram; quando as virmos aplaudir uma qualquer aliança entre o PS e o sempre velozmente disponível CDS. Os exemplos do costume.
Restam os portugueses. (Os outros). Também como de costume."

quarta-feira, 7 de maio de 2014

União Desportiva e Cultural de Argivai

A União Desportiva e Cultural de Argivai tem a honra de convidar os(as) Senhores(as) Associados(as) e Simpatizantes desta coletividade a assistir à cerimónia de tomada de posse dos novos corpos gerentes para o biénio 2014/2016, que que se irá realizar no próximo dia 16 de Maio (sexta-feira), pelas 21 horas e 30 minutos, na sua Sede .
A sua presença será uma honra e um importante estímulo para o início de uma nova etapa que se vai iniciar nesta Instituição de Utilidade Pública.
 
 

domingo, 16 de março de 2014

União Desportiva e Cultural de Argivai

ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA
CONVOCATÓRIA
Nos termos estatutários e regulamentares, convocam-se todos os(as) Senhores(as) Associados(as) desta coletividade a participar na Assembleia Geral Extraordinária a realizar no dia 30 de Março (domingo) de 2014, pelas 10 horas, na Sede da U D C de Argivai, sita na Rua de São Pedro, para leitura e aprovação da Ata da Assembleia anterior, discutir outros assuntos de interesse  da instituição e Eleição dos Corpos Sociais para o biénio 2014/2015.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Reindustrialização

Os governantes do pós 25 de Abril, acolitados pela nossa intelligentsia, destruíram paulatinamente a nossa pouca industria, proferindo loas de que o nosso futuro passava pelos serviços. Agora, que temos mais de 86% da estrutura económica do País no sector dos serviços, vem dizer-nos que temos que reindustrializar o país.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

União Desportiva e Cultural de Argivai

ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA
CONVOCATÓRIA
Nos termos estatutários e regulamentares, convocam-se todos os(as) Senhores(as) Associados(as) desta coletividade a participar na Assembleia Geral Extraordinária a realizar no dia 16 de Março (domingo) de 2014, pelas 10 horas, na Sede da U D C de Argivai, sita na Rua de São Pedro, para leitura e aprovação da Ata da Assembleia anterior, discutir outros assuntos de interesse  da instituição e Eleição dos Corpos Sociais para o biénio 2014/2015.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Vital Moreira: Acórdão do TC é 'desproporcionado'

Segundo o semanário Sol, o constitucionalista e eurodeputado Vital Moreira considera que a posição assumida pelo Tribunal Constitucional (TC) de chumbar o corte nas pensões do sector público é “uma tese desproporcionada”.
“A ideia de que a redução de 10% de uma pensão pode afetar gravemente os planos de vida de uma pessoa, mesmo que se trate de valores elevados (no sector público há muitas pensões acima de 5000 euros) e mesmo que o titular tenha outros rendimentos (o Tribunal Constitucional não fez exceções nem qualificações), é uma tese pelo menos desproporcionada”, escreveu esta sexta-feira no seu blogue Causa Nossa.
Segundo Vital Moreira, o chumbo só pode ser ultrapassado agora “por cortes equivalente noutras rubricas da despesa (não se vê bem onde...) ou por um aumento correspondente da receita, muito provavelmente um novo aumento da carga fiscal”.
“Os que contavam com algum alívio fiscal depois da crise podem desiludir-se. Com a doutrina dos direitos adquiridos consolidada pelo Tribunal Constitucional em matéria de prestações públicas, mesmo quando atribuídas em período de ‘vacas gordas’ orçamentais, vai ser preciso continuar a pagá-los em período de ‘vacas magras’. Em matéria de nível da carga fiscal não há proteção da confiança...”, lamentou na quinta-feira, quando foi conhecido o acórdão do TC.
“Voltando a conferir valor absoluto ao princípio da proteção da confiança (sem paralelo na jurisprudência constitucional comparada), o Tribunal Constitucional reiterou o seu entendimento, a propósito da convergência das pensões, de que as prestações públicas conferidas por lei se tornam constitucionalmente intocáveis, mesmo que isso se traduza numa manifesta desigualdade, não somente em relação aos que beneficiam de prestações de valor menor em igualdade de circunstâncias (os pensionistas do sector privado) mas também em relação aos que no futuro venham a aceder às mesmas prestações (os futuros pensionistas do sector público)”, explica ainda.

domingo, 1 de dezembro de 2013

União Desportiva e Cultural de Argivai

ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA
CONVOCATÓRIA
Nos termos estatutários e regulamentares, convocam-se todos os(as) Senhores(as) Associados(as) e Simpatizantes desta coletividade a participar na Assembleia Geral Ordinária a realizar no dia 12 de Janeiro (domingo) de 2014, pelas 10 horas, na Sede da U D C de Argivai, sita na Rua de São Pedro, para leitura e aprovação da Ata da Assembleia anterior, apreciar e deliberar sobre o Relatório e Contas do ano de 2013, discutir outros assuntos de interesse  da instituição e Eleição dos Corpos Sociais da União Desportiva e Cultural de Argivai  para o biénio 2014/2015.

sábado, 2 de novembro de 2013

Tchaikovsky, Piano Concerto No. 1, B flat minor, Op. 23

video
Performed by Angela Cholakyan with the USC Thornton Symphony, Conducted by Carl St.Clair.

sábado, 19 de outubro de 2013

Orçamento de Estado 2014

Apesar todos dos esforços que pesam sobre uma grande parte dos portugueses, o orçamento de estado propõe um défice no valor de 6.793 milhões de euros. Exatamente 6.793 milhões de euros que irão agravar ainda mais a dívida pública e que terão que ser pagos com juros através dos impostos futuros dos contribuintes.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Aonde vamos parar?

A dívida pública atingiu os 131,4% do PIB no final do primeiro semestre deste ano, segundo os dados divulgados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal através do Boletim Estatístico.
Em termos nominais, a dívida nacional atingiu os 214,57 mil milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 1,43% face ao primeiro trimestre do ano, altura em que a dívida cresceu para os 211,5 mil milhões de euros.
Comparando com os números que constam na sétima avaliação do programa de ajustamento português, este número supera as estimativas para o acumulado do ano, cuja previsão é de 202,1 mil milhões de euros para este ano.
Considerando a dívida líquida de depósitos da administração central, a dívida nacional cresceu de 115,8% no primeiro trimestre para 118,4% no final de Junho. Em termos nominais, este indicador encontra-se nos 193,3 mil milhões de euros, segundo os dados do Banco de Portugal.
Segundo a Negócios Online, esta tendência de aumento foi transversal a todos os segmentos que são contabilizados. Entre as empresas públicas verificou-se um aumento de 28,8% do PIB para 29,5%, entre o primeiro e o segundo trimestre do ano.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Promessas eleitorais

Como eu gostava de ver a atitude dos candidatos: Para os que se candidatam à gestão dos municípios e freguesias, quando prometem que vão construir isto e aquilo, que vão baixar o preço disto e daquilo, que agora é que vai ser, etc., etc., deveriam dizer, de lápis na mão, onde vão buscar o dinheiro, ou onde vão fazer cortes no orçamento, para cumprirem as promessas, sem onerar a fatura dos munícipes.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

M. Rebelo de Sousa na Póvoa de Varzim

A popularidade e poder de comunicação de Marcelo Rebelo de Sousa redundou na sobrelotação das instalações do Clube de caçadores da Estela para assistir à sua palestra, organizada conjuntamente pelo Lions Clube da Póvoa e Clube de Caçadores, evento integrado nas comemorações dos 873 anos da freguesia da Estela, realizado ontem.
Marcelo abordou os temas história de Portugal e municipalismo, desde a fundação da nacionalidade até aos nossos dias, discorrendo sobre as vários períodos da nossa história em que a palavra crise nos atormentou, e donde, segundo o Prof. Marcelo, se podem retirar algumas lições, dentro do seu conhecido pensamento otimista.
De registar a presença do jornalista e escritor Júlio Magalhães, que também foi uma das figuras da noite, com as suas histórias divertidas sobre Marcelo, que provocou gargalhadas na sala inteira.
Parabéns às forças vivas da freguesia da Estela pelo trabalho meritório que têm desenvolvido, sobretudo ao nível da dinamização cultural, que de ano para ano se tem vindo a impor no panorama concelhio.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Argivai conquista Taça

A União Desportiva e Cultural de Argivai conquistou a Taça da Póvoa de futebol nos dois escalões que restavam: femininos e escolinhas. A coletividade argivaiense, que este ano comemora 25 anos de atividade, foi a melhor nos escalões de femininos e em escolinhas, em finais realizadas ontem no Complexo Desportivo Municipal.
Durante a manhã foi a vez das senhoras levantarem o troféu, graças a uma vitória por duas bolas a zero sobre o Leões da Lapa.
Durante a tarde, os pequenos argivaienses bateram o pé ao Rates, vencendo por duas bolas a zero.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Silva Lopes e a geração grisalha

Silva Lopes, antigo ministro das Finanças, à margem de um debate sobre o Orçamento do Estado e a Constituição, realizado ontem em Lisboa, diz que "a geração grisalha não pode estar a asfixiar a geração nova da maneira como tem feito até aqui."
Eu diria que não é só a geração nova que está a ser asfixiada mas todas as gerações que neste momento não têm emprego.
Não vejo mal nenhum em se taxar as reformas mais elevadas, em que muitas delas não resultaram de descontos suficientes para o valor que recebem, sendo necessário buscar o nosso dinheiro dos impostos ao Orçamento de Estado para pagar essas reformas ditas douradas. 
Dinheiro tão preciso para reanimar a nossa economia por forma a dar emprego e condições de dignidade a quase um milhão de portugueses.
Neste país profundamente egoísta, hipócrita e de falsos moralismos, parece que é mais grave cortar nas reformas elevadas que deixar morrer à fome ou votar à miséria quase um milhão de portugueses.
Neste contexto transcrevo parte do artigo de Henrique Monteiro do "Expresso" sobre o mesmo assunto: Não esperem revelações, não sei quanto ganha Silva Lopes de reforma. Sei apenas que ele foi Governador do Banco de Portugal e ministro das Finanças. Foi sempre um homem mais para a esquerda do que para direita, e por volta de 2002 (ou até talvez antes) começou a alertar que íamos no caminho do abismo. Ontem, apesar dos seus mais de 80 anos, com a lucidez que falta a tanta gente, afirmou o seguinte: custa-me ir contra a minha classe de reformados, mas as pensões de reforma mais altas têm de ser cortadas, não podemos viver à custa das gerações mais novas. E acrescentou: "Eu sou pensionista, quem me dera a mim que não toquem nas reformas, mas tocam, vão tocar e eu acho muito bem. Não há outro remédio. A geração grisalha não pode asfixiar a geração nova como tem feito até aqui".
Silva Lopes é dos raros casos de desprendimento nas elites portuguesas (compare-se com Cavaco, que preferiu a reforma ao salário de Presidente). É um exemplo. Porque ele sabe bem que a situação é insustentável. O mesmo sabe Victor Baptista, um quadro do Partido Socialista, que hoje num artigo no 'Público' escreve: "Nos últimos anos, o sistema é continuamente deficitário (...) este ano serão transferidos do OE mais de mil milhões de euros para o pagamento das pensões e reformas". Victor Baptista apresenta uma proposta de se taxar não apenas os trabalhadores das empresas, mas também a maquinaria e equipamentos.
Eu sei que estes exemplos de honestidade intelectual escasseiam. Deve ser por isso que ouvimos tantos indignados a reclamar que o dinheiro das pensões corresponde ao que descontaram. Mas, significativamente, isso não é bem assim. Basicamente há dois sistemas de segurança social: no de capitalização puro, o dinheiro é de facto de quem o descontou, uma vez que a poupança é transformada em renda. Mas num sistema de repartição, que é aquele que Portugal sempre teve, os reformados não têm necessidade de ter qualquer poupança prévia. Carlos Pereira da Silva, professor Catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), escrevia em 2006 (há sete anos, muito antes desta trapalhada toda), que "neste caso não existe titularização dos direitos formados. Tudo depende do papel do Estado e das maiorias que o Governam. O risco é essencialmente político".
O nosso sistema é o de repartição porque a classe política portuguesa bloqueou sempre, mas sempre, qualquer reforma de fundo da segurança social. O esforço - meritório - feito por Vieira da Silva veio ajudar a remendar, mas não pôde consertar. Baseava-se em taxas de crescimento da Economia que não se verificaram nem se vão verificar. Recordo que no primeiro trimestre deste ano (leia-se hoje o Financial Times) a Alemanha cresceu uns ridículos 0,1% e a França entrou (pela quarta vez desde 2008) em recessão.
Este é o problema que temos. O imobilismo nas pensões e reformas, por muito que custe à APRE e ao dr. Pinhal faz-se - como diz Silva Lopes, um dos homens mais estruturalmente sérios com que me cruzei - à custa das gerações dos nossos filhos netos. Nós, os grisalhos, temos de escolher. Ou entramos na conspiração (como bem lhe chamou Ribeiro Mendes, que foi secretário de Estado da Segurança Social de Guterres e tem alertado para a insustentabilidade do sistema) e queremos apenas salvar-nos a nós mesmo. Ou compreendemos que tem de haver solidariedade intergeracional e abdicamos de parte do que temos. É esta a questão. Toda a restante conversa é baixa política.

terça-feira, 2 de abril de 2013

União Desportiva e Cultural de Argivai

ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA
CONVOCATÓRIA
Nos termos estatutários e regulamentares, convocam-se todos os(as) Senhores(as) Associados(as) e Simpatizantes desta coletividade a participar na Assembleia Geral Ordinária a realizar no dia 21 de abril (domingo), pelas 10 horas, na Sede da U D C de Argivai, sita na Rua de São Pedro, para apreciar e deliberar sobre o Relatório e Contas do ano de 2012, apreciar e votar Relatórios e Contas da Direção relativos a exercícios anteriores e discutir outros assuntos de interesse para a União Desportiva e Cultural de Argivai.


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Papa Bento XVI

Henrique Monteiro escreveu um belo artigo no Expresso intitulado "O Papa verdadeiro, não o do preconceito", que eu partilho, onde afirma que Bento XVI resignou por nenhum motivo obscuro, mas por ser quem é e sempre foi: um racionalista (ele mesmo escreveu e disse várias vezes que não era um místico) que entende profundamente o valor da vida e do ser humano. Como intelectual, Bento XVI é superior; como dirigente da Igreja Católica deu cabo de todos os preconceitos daqueles que, à data da sua eleição, queriam vê-lo como um mero "pastor alemão". Aprendi a respeitar a coerência e a elevação onde quer que elas estejam, bem como a tolerância e a convivência como valores indispensáveis à compreensão mútua. E por ter lido e ouvido de viva voz o Papa, considero-o uma figura impar na nossa intelectualidade.
Para não enfileirar com aqueles que só conseguem elogiar na hora da despedida, cito um artigo que escreveu há quase três anos nas páginas do Expresso precisamente sobre este Papa, quando ele visitou Portugal.
"Mas por que estranha razão, a cada passo, se ouve dizer que este Papa é um reacionário temível? O que Bento XVI quis dizer aos convidados do CCB, entre eles muitos pertencentes a outras confissões ou não professando nenhuma, foi simples: que cada um deve fazer da sua vida um lugar de beleza e que a Igreja está sempre a aprender a conviver e a respeitar os outros; "outras verdades, ou as verdades dos outros". A mensagem foi de uma profunda tolerância e de esperança que a "Verdade" possa iluminar cada ser humano. Quem se sente ameaçado por palavras assim? Já no avião, Bento XVI desarmara a polémica da pedofilia ao afirmar que a perseguição à Igreja não nasce dos seus inimigos, mas do seu interior. A frase, que parecerá revolucionária a quem nada leu sobre Cristo - a começar pela Bíblia - está, no entanto, em perfeita linha com a melhor tradição da Igreja. Em Fátima, o Papa defendeu - e bem - a liberdade de culto.
E assim, Bento XVI surge-nos infinitamente melhor do que aquilo que dele dizem.
E aqui se revela o preconceito.
Não o estafado preconceito que é arma de arremesso de todos os pós-modernos quando em causa está uma hierarquia de valores; mas o preconceito daqueles que, dizendo-se despreconceituosos, não resistem a um teste simples: fazer a crítica coerente ao que o Papa diz - e não a um conjunto de ideias pre-formatadas que ele jamais defendeu.
A luta central de Bento XVI é contra a desregulação do ethos, da ética - a mesma desregulação que elevou a ganância e a especulação a deuses de pés de barro que se estatelaram no primeiro abanão. É uma luta árdua contra a desvalorização da vida, da família, do esforço honesto e da esperança que pode e deve envolver não apenas os católicos. No CCB, também os líderes de outras confissões saudaram as palavras do Papa.
É difícil ir contra aquilo que se convenciona, em determinado momento, ser moda: o chocante, o grotesco, a desconstrução, a ganância, o egotismo. E, uma vez que a Igreja Católica continua a aprendizagem da convivência, mais do que possível é desejável o caminho comum."
E assim terminava o texto escrito no Expresso:
1) Como Bernard-Henry Levy também eu penso e escrevi que tudo o que diz respeito ao Vaticano e ao Papa surge na imprensa e em certos círculos acompanhado de preconceito, desonestidade e até desinformação
2) Posso testemunhar que Bento XVI tem razão quando afirma que ninguém faz, em concreto, tanto pelos pobres, pelos que passam mal e sobretudo pelos doentes de sida como a Igreja. A Igreja tem uma obra assinalável. Há nos locais mais recônditos, sujos, doentios, depressivos sempre alguém que, por nada ou quase nada em troca, está lá a ajudar os outros. Diria que 100% são crentes e desses a maioria cristãos e a maior parte católicos.
3) A reação do Papa às denúncias do escândalo da pedofilia foi esta, exatamente, que transcrevo (e não o que por aí anda a correr: "Desde que sejam verdade são bem vindas - a verdade, conjugada com o amor corretamente entendido é o valor primordial". Eis algo que é raro, senão impossível, ouvir de alguém responsável, nomeadamente na política.
4) A ideia da racionalidade na Fé (ou na crença) liga-se a uma questão pertinente que raras pessoas gostam de responder. Esta: se a cultura, ou o múnus da cristandade no Ocidente perder a sua força estruturante da sociedade quem ou o quê vai assumir o seu lugar?
5) Ratzinger tem toda a razão quando defende que a tolerância está em perigo com as doutrinas politicamente corretas. O seu exemplo é para mim paradigmático. Ei-lo "está a difundir-se uma nova intolerância (...) existem regras ensaiadas de pensamento que são impostas a todos e que são depois anunciadas como uma espécie de tolerância negativa. Como quem diz que, por causa da tolerância negativa não pode haver crucifixos nos edifícios públicos. Basicamente isto significa a abolição da tolerância".

sábado, 12 de janeiro de 2013

Mordomias

Chamou-me à atencão a notícia da Rádio Renascença online sobre as mordomias que determinados cidadãos portugueses desfrutam, à custa do nosso trabalho e dos exorbitantes impostos que pagamos, através de reformas imerecidas e para as quais não descontaram, sendo nós, os contribuintes, a pagá-las, para que esses senhores tenham uma vida repimpada.
A presidente da Câmara de Palmela, Ana Teresa Vicente, eleita pelo PCP, terá 47 anos acabados de fazer quando chegar a situação de reformada, no mês que vem.
No mesmo diploma publicado no Dário da República de terça-feira, onde se lê que Ana Vicente tem direito a reforma a partir de Fevereiro e a uma pensão de 1.859.67 euros, surge o caso de outro autarca que vai ter uma reforma semelhante: 2.092 euros. Trata-se de Seruca Emídio, presidente da Câmara de Loulé, eleito pelo PSD, que também se reforma no mês que vem, aos 58 anos.
A lei dos eleitos locais permite-lhes um regime especial de reforma. Por exemplo, até dez anos de trabalho, o tempo de serviço para aposentação conta a dobrar.
A Associação Cívica Transparência e Integridade, considera que esta é uma realidade escandalosa: “O sistema de reformas dos políticos em Portugal é uma das muitas vergonhas que este regime foi criando. Nós temos hoje uma classe política em que muitos dos seus membros foram reformados com oito anos de actividade e outros, mais recentemente com 12 anos de actividade."
"Isto é perfeitamente inadmissível, até porque o exercício das funções públicas e políticas não devia garantir regalias às pessoas. Quem exerce funções públicas ou políticas tem mais obrigações que os outros e não mais direitos”, acrescenta.
O caso da autarca de Palmela é apenas mais um, já que a maioria dos políticos conhecidos já beneficiam deste sistema. Muitos dos mais conhecidos políticos portugueses já exerceram o seu direito de garantir uma reforma ao fim de alguns anos de trabalho e isso é perfeitamente inadmissível."

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Política está a falhar

"Portugal dispõe de condições naturais e humanas únicas. O país tem boa gente, séria e trabalhadora. Temos também um clima invejável, os níveis de segurança são satisfatórios.
Os terrenos são propícios ao desenvolvimento de agricultura, da pecuária e da silvicultura. O património histórico e cultural é rico, privilégio dum país com quase novecentos anos. Temos ainda essa condição de "povo de diáspora", com quase cinco milhões de emigrantes espalhados pelo planeta. São muitos destes portugueses que dão cartas pelo mundo.
Mas, ao mesmo tempo, a crise é crónica, a nossa estrutura produtiva está obsoleta, não se percebem quais os objectivos estratégicos, o estado asfixia a economia. Não há um mínimo de organização nos transportes de mercadorias, a nível marítimo ou ferroviário. O mundo rural está maioritariamente ao abandono. E não há sequer capacidade de captar a energia e a riqueza dos emigrantes.
Mas afinal, se a matéria-prima é à partida boa e o resultado é desastroso, a culpa só pode ser do modelo de organização. E organização, num Estado, chama-se política. Em Portugal, é claramente a política que está a falhar. Precisamos pois de novos modelos e também de novos actores. Porque entregue a uma classe dirigente incapaz e degradada, Portugal está condenado ao subdesenvolvimento." Paulo Morais dixit.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Médicos

"Portugal está a caminho de ter médicos a mais", afirma, corporativamente alarmado, o senhor bastonário da Ordem dos Médicos.
Ótimo!, devem dizer os portugueses. Com médicos a mais, pelas leis do mercado, espera-se o surgimento de mais profissionais da medicina espalhados pelos locais remotos do país, para atendimento das populações deles mais carenciadas, tabelas salariais mais razoáveis para as contratações de acesso ao setor público, e, claro!, a baixa drástica do preço das consultas no privado.
Se nada disso acontecer, porque será? Ou também foi já revogada a lei da oferta e da procura?
 
Publicado por Francisco Seixas da Costa, embaixador português em França, no seu blogue duas ou três coisas.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

União Desportiva e Cultural de Argivai

ASSEMBLEIA GERAL


CONVOCATÓRIA
Nos termos estatutários e regulamentares, convocam-se todos os senhores associados e simpatizantes desta coletividade a participar na Assembleia Geral Ordinária a realizar no dia 30 de Dezembro (domingo), pelas 10 horas, na Sede da U D C de Argivai, sita na Rua de São Pedro, para apreciar e deliberar sobre o Plano de Atividades e o Orçamento para o ano de 2013, apreciar e votar Relatórios e Contas da Direção relativos a exercícios anteriores e discutir outros assuntos de interesse para a União Desportiva e Cultural de Argivai.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Argivai

Foi desenhado e entregue na Assembleia da República a proposta do grupo técnico encarregue da elaboração do novo mapa administrativo do país, sendo que este determina que haverá a união das freguesias da Póvoa de Varzim, Beiriz e Argivai. 
Tenho muita pena que a minha freguesia, onde nasci, vivi, vivo intermitentemente, e fui batizado, seja extinta. Argivai, nas últimas décadas, tem sido paulatinamente desbaratada e muito maltratada, por incúria de todos nós, por termos permitido que a nossa terra fosse gerida sem sabedoria, sobretudo pela ausência de intervenção cívica de todos os que tinham capacidade e qualidade para a elevar para o lugar que já lhe pertenceu na História da Póvoa de Varzim.
A situação em Argivai é 'mutatis mutandis' equivalente à desgraçada situação socioeconómica  e política da nossa pátria, os cidadãos, ao absterem-se da intervenção cívica nas últimas décadas, dando carta branca aos eleitos, consentiram que se desbaratasse o futuro de Portugal.